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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O CIÚME NÃO NASCE DO AMOR

O ciúme, sobretudo em sua forma patológica, raramente nasce do amor. Ele brota do medo da perda, da insegurança interior e do desejo inconsciente de posse. Quando isso acontece, o outro deixa de ser visto como pessoa e passa a ser tratado como propriedade emocional. Nesse estágio, o ciúme não protege a relação, mas a sufoca, transforma o afeto em vigilância e o cuidado em controle. As grandes tragédias humanas, sejam elas passionais, familiares ou sociais, carregam quase sempre a marca desse comportamento. Shakespeare, em Otelo, revela com precisão cruel como o ciúme não apenas destrói quem é alvo dele, mas também cega aquele que o alimenta. O ciumento deixa de ver a realidade como ela é e passa a viver refém de fantasias, suspeitas e interpretações distorcidas, criando um inimigo onde muitas vezes não existe. No amor maduro, a base não é o controle, mas a confiança. Quem ama de forma saudável compreende que não há garantias absolutas nas relações humanas e que nenhuma vigilância é capaz de impedir uma traição, caso ela venha a acontecer. O verdadeiro antídoto contra o ciúme não é a pressão, mas o fortalecimento do vínculo, do diálogo e da autonomia emocional. Onde há confiança, o amor cresce e se torna mais leve. Livro Por quem está esperando, de Magno Holanda