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domingo, 17 de abril de 2016

ATRASADOS NO TEMPO: RETARDAMENTO MENTAL





Meus caros amigos, a vida humana tem se tornado muito veloz ao longo do tempo, de forma tal que às vezes não conseguimos alcançar seu ritmo. Quando me refiro à velocidade, não estou falando apenas da velocidade do corpo e de suas relações materiais com outros corpos [todos os seres humanos ou não], mas também da velocidade ocorrida na alma, em nossa psique. Esse fenômeno vem se desenvolvendo a cada dia que se passa, afetando e sendo afetado, de imediato e ao longo prazo, de forma que vivemos numa correria louca para alcançar certos patamares da vida humana, porém há, certamente, efeitos sobre a mente humana como o fenômeno psicológico, SPA [ Síndrome do Pensamento Acelerado] tanto falado pelo mestre Augusto Cury. Esse processo de aceleração do corpo e da alma exigido pelas culturas no tempo assemelha-se aos efeitos dos anabolizantes. As pessoas estão cada vez mais inchadas, mas a maturidade e a sabedorias destas fica lá atrás no tempo, pois estes são fenômenos da calmaria, observação, experimentação e equilíbrio da alma.
Por vários motivos, entre eles o genético e o espiritual, muitos indivíduos não conseguem andar no mesmo ritmo de sua sociedade. Olhando para eles, parece que estão parados no tempo, mas ao mesmo tempo nos questionamos se eles estão na velocidade correta e nós, seres corredores, angustiados da vida,  é que estamos destoados no tempo. Também quero acrescer aqui o jogo teatral das aparências em que pessoas se mostram avançadas quando são retardadas, ou seja, se mostram maduras quando são infantis. Você, caro amigo leitor, deve conhecer algum fulano assim, não é mesmo?
O retardamento mental pode afetar todas as áreas da atividade humana ou apenas uma ou outra. Ou seja, um indivíduo pode ser um ótimo profissional, maduro e equilibrado, porém em outros setores de sua vida, como a vida sentimental e profissional, agir de forma infantil.
Não vou deter-me nos casos plurais, pois seria coisa para livro, mas devo focar nos casos naturais, mas também sendo o mais breve possível. Nos casos naturais, o indivíduo, por força da natureza e outras potências, tem seu amadurecimento mental retardado, de forma que o corpo está sempre à frente da mente, tipo um adolescente com mente de criança ou um adulto que vive feito um adolescente. Esse processo muitas vezes é negado por ações externas, mas confessado em ações interiores, nos conflitos, nos desejos, nos sonhos, nas lembranças e nos desejos de lembrança e desejo de retorno de uma etapa passada ou mesmo a uma repetição da história. Muitas vezes reclamamos e rimos do comportamento deles, mas, em muitos casos, eles não podem fazer nada a respeito. Sendo assim, não há razão para nos queixarmos e nem para rirmos. Eles, na maioria dos casos, não possuem autonomia para fazer escolhas diferentes, mesmo que nós pensemos diferente disso.
 Todas as pessoas estão presas ao tempo ou são de certa forma saudosistas, principalmente da infância, como diz o poeta “Ah, que saudade que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”. A intensidade desse saudosismo varia de pessoa a pessoa, de momento a momento. Dependendo do volume de energia experimentado pelo indivíduo, essa experimentação de um tempo passado através das lembranças, poderá se tornar uma prisão no tempo.
Algumas pessoas ficam presas às sensações e amores do passado de tal forma que parece que não há e nem haverá encanto, amor e poesia da vida semelhante ao de outrora. Eles amam mais o passado do que o presente. Andam para trás! Mas não julgo como algo mau, mas apenas penso o processo, pois talvez apenas lá, naquele lugar distante e passado é que eles sejam capazes de amar e ser feliz. Eles não são capazes de amar aqui e agora, então, meu amigo não os prenda a um tempo que não os fazem felizes. Isso é muito pessoal, sabia? Boa parte deles termina, na fuga da tristeza do amor platônico, amando por amar, porém sempre presos por dentro à utopia de si e de sua história, do encanto e do tempo. Enquanto não se libertam, vivem suas angústias e arrependimentos e desentendimentos com a vida por não lhes proporcionar a possibilidade de viver seu encanto. Eles têm a sensação de que a vida e a poesia escaparam-lhes por entre os dedos.
As pessoas que vivem ao redor do retardado, amigos, colegas, familiares e comunidade, o pressionam, impondo seu comportamento mental como problema, que talvez nem seja, a não ser que afete a terceiros. Esse tipo de pessoa desenvolve temas e pensamentos peculiares, ora sadios e benéficos, ora danosos a si e a sociedade.  Em alguns casos até conseguem ser convencidos de seu atraso mental e comportamental, porém isso não significa que conseguirá ser diferente de si para ser igual à sociedade. Em outros tantos casos, a pessoa não acredita ser errado e segue sua vida de sua maneira, ou seja, da maneira como tinha de viver e ser, na sua velocidade, no seu tempo e nas suas reminiscências, dentro daquilo que a vida lhe propõe. Mas será que deveria ser daquela forma ou deveria viver de outra forma mais intensa? Viver diferente poderia até proporcionar uma vida melhor, mas isso significaria agressão a sua vida e batalha intensa, tornando a vida sofredora no presente. Talvez a calmaria e conformação com seu jeito de ser sejam mais interessantes, sendo essa decisão pessoal, quando é possível.
... mas independente do processo que estejamos experimentando, é importante que  pensemos um pouco sobre se é preciso reduzir ou aumentar a velocidade, porém com muita cautela e sem grandes cobranças.


Por MAGNO HOLANDA

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