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sábado, 17 de setembro de 2011

artigo:machismo, uma realidade decadente?

Introdução
Desde o início da compreensão humana, ou seja, desde que o homem iniciou-se na reflexão, começou-se a perceber as diferenças entre homens e mulheres, em toda ordem de atributos físicos, mentais e traços culturais. Neste mundo cada vez mais informado sobre as reações psicológicas, quer de indivíduos ou conjunto, cada dia torna-se mais perceptível esta diferença que antes estava escondida sobre certos pretextos religiosos, machistas e culturais. E foi exatamente por este motivo que fui estimulado a estudar e escrever sobre esta batalha por um domínio; esta batalha está presente em toda natureza, seja ela instintiva ou racional, pois a cada momento esta luta sofre um progresso e se torna mais intensa e complexa, revelando as diferenças de capacidade, interesse, aptidão, rendimento sexual etc., cujas conseqüências são: preconceitos, distinções e estereótipos definidos pela classe masculina.
Você perceberá que neste estudo há uma exposição clara e objetiva dos problemas, das hipóteses e das soluções possíveis cientificamente e um senso de inteligência e feeling na escolha dos rumos dessa trama humana, em que se envolve, a cada capítulo, o grande problema humano e da vida em geral.  
Capítulo I - história
 As sociedades primitivas quase sempre davam explicações sobrenaturais ou míticas para justificar seu machismo, mas não é difícil compreender por que elas usavam tais recursos, pois elas não tinham recursos ideológico-científicos para justificarem suas barbáries. A crença que os homens são superiores às mulheres é muito antiga e sempre houve uma desconfiança do homem em relação à mulher, sempre a designando como algo mau (Pandora e Eva). Em certas épocas houve um exagero dessas crendices pondo a mulher como escrava e objeto dos homens, e em alguns casos elas eram consideradas inferiores aos animais. Mas não é muito fácil indicar o que levava os homens a tomarem esta posição. Primeiramente, precisamos recuar um pouco no tempo e averiguar a história da humanidade para perceber as manifestações machistas em meio à história. Sabemos que toda a construção das sociedades ocidentais está alicerçada sobre fundamentos orientais, porque quando os europeus viviam em cavernas o Egito e a China já tinham um bom desenvolvimento. O alfabeto e a religião do ocidente foram influenciados pelos orientais que carregavam o machismo no coração.
Durante toda a história as mulheres trabalharam quase sempre como escravas lavrando a terra ou faziam o trabalho de artesanato, enquanto os homens estavam quase sempre vestidos de senhores e guerreiros. Em Atenas, por exemplo, as mulheres eram postas em posição de nítida inferioridade e não recebiam educação igual à dos homens. Em outros países da Grécia antiga as mulheres tinham mais liberdade e podiam expressar-se em igualdade com os homens. Já na Roma antiga houve um período em que a mulher fora escravizada, mas evoluiu conseguindo certas liberdades e direitos a ter bens.
Na maioria dos países desenvolvidos e quase totalmente livres dos conteúdos orientais antigos observa-se uma postura diferente em relação ao espaço da mulher. Enquanto nos países onde a cultura oriental ainda persiste, há uma desvalorização da mulher e supervalorização do homem, nos países desenvolvidos há uma tendência muito forte da diminuição das diferenças entre macho e fêmea. Quando nos remetemos a um país, como o
 Brasil, dizemos que o brasileiro oscila bastante entre o machismo presentes, na cultura que recebemos dos europeus e orientais, e esse nosso aspecto das culturas modernas e desenvolvidas em que a mulher tem um espaço bem maior.
Capítulo II – desenvolvimento intelectual
O desenvolvimento intelectual é importante para realização de uma cultura equilibrada ou não. A cultura é a maneira de viver de um povo e nela estão os elementos da vida coletiva de uma sociedade como a religião, a técnica, padrões de vida familiar etc., e que são quase mutáveis por séculos. Bem, a personalidade, dizem muitos psicólogos que é um conjunto mais ou menos estável ou harmonioso. Quando a personalidade de uma pessoa começa a desenvolver-se a cultura está presente, influenciando-a através do aprendizado ou mesmo da imitação, enfim a cultura determina o desenvolvimento da personalidade influenciando na aprendizagem e criando disposições ou predisposições conscientes ou inconscientes já na infância, fazendo que toda esta posição dominante venha nos acompanhando durante sua história
  Os homens sempre perceberam, desde o início da humanidade, as diferenças existentes entre eles e as mulheres e que havia uma necessidade de proteger-se para não perder seu reinado, então começaram a criar seus anticorpos, ou seja, tomavam atitudes que colocavam a mulher numa posição de submissão diante da sociedade masculina e machista e a mulher, por sua vez, pouco fez no passado para mudar este tipo de comportamento social machista. Apesar das conquistas que já alcançaram, as mulheres ainda se sujeitam e colaboram com músicas que as denigrem e as chamam de "cachorras". Em algumas sociedades as mulheres ainda vivem como no passado, pois estão escravizadas pelo sistema machista de seu país, porque embora estando em pleno século XXI pode-se perceber a existência das que se submetem a estar em um casamento em que seu esposo tem quatro ou cinco esposas e que elas só têm o direito de ficarem caladas e obedientes.

3. Diferença ou desigualdade?
 Da mesma forma que um professor sabe que todos os estudantes não têm um aprendizado igual, embora recebendo o mesmo tratamento, sempre serão diferentes, assim também há diferenças marcantes entre homens e mulheres: É freqüente ouvirmos dizer que as mulheres são mais afetuosas que os homens, embora, num plano geral e não individual, eles sejam mais inteligentes (qual a causa disto?).
Por causa da observação destes fatos entra nesse texto o estudo da psicologia, pois esta procura também entender, verificar e explicar as diferenças psicológicas entre os indivíduos macho e fêmea. Essa é uma tarefa muito difícil, porque estamos tratando de algo que é concreto, mas que parece abstrato - a mente humana.
Muitas são as pessoas que pensam estar neutras nesse processo das diferenças humanas, alegando não ser machistas ou feministas, porém se existe algo que pessoa algumas é capaz de ser ou fazer é estar na neutralidade que está impregnada na personalidade e na genética do homem e da mulher (procura na ciência). Então, mesmo que de uma forma subjetiva, a pessoa termina sendo influenciada e influenciando outras a pensar desta ou daquela forma.
O pensamento científico pode ajudar a melhorar certas compreensões da realidade, porém dificilmente poderá modificar as atitudes machistas ou feministas do dia a dia. Sabemos que os homens e as mulheres são essencialmente diversos e que mesmo que haja grandes projetos para que estes venham estar em igualdade, o máximo que conseguirão será um limite ou diminuição desta tão grande diferença e, desta forma, impedir que as mulheres sejam tão prejudicadas como foram e ainda estão sendo: tantos e tantos teóricos, pensadores, revolucionários, movimentos feministas, políticos etc. tentaram durante toda sua vida e em todos os tempos aniquilar estas diferenças, mas caíram no insucesso, porque a desigualdade jamais será conquistada, ou seja, nesta disputa pelo domínio há uma diferença muito grande psicologicamente, fisicamente e sexualmente entre os indivíduos disputantes e que favorecem aos homens, e mesmo que as mulheres consigam bastante espaço, tenderá a existência do domínio ou do homem ou da mulher.
Veja bem, não será minha ou tua opinião que modificará o domínio, pois independente de ser feminista ou machista este fenômeno continuará ocorrendo dentro do curso que a humanidade vem percorrendo e, acredito, que dificilmente haverá uma mudança de poder: mas quando se admite que um grupo seja superior ao outro, afirma-se também que o outro é inferior, menos inteligente ou capaz, dando-se menos oportunidades para estes, porque são taxados de inferiores intelectualmente e, também por precaução dos homens que tem um medo inconsciente de serem surpreendidos pelas mulheres. Então, mesmo que teóricos digam diferente, este princípio é confirmado na realidade da vida, pois sem as oportunidades que permitam o desenvolvimento feminino, é certo que elas sempre serão menos capazes que os homens. Esta é uma comprovação acentuada de que os homens usam de esperteza e preconceito contra as mulheres sob a máscara de que é apenas uma comprovação da realidade.
4. Hierarquia
Caso a humanidade aceite a idéia de que tanto homens quanto mulheres são iguais e devem ter os mesmos direitos, isso interferiria no processo das diferenças e privilégios talvez “necessários” para evolução das espécies, mas se continuarmos agindo como sempre fizemos, dificilmente conseguiremos diminuir suficientemente estas diferenças. Mas se recorrermos ao ponto de vista moral e ético surgirá diante de nós o princípio de que todas as pessoas são ou devem ser iguais e, este princípio causará um maior desenvolvimento da mulher e consequentemente uma redução dessas diferenças. Todavia este equilíbrio não é satisfatório porque está longe da realidade e é mitológico, pois mesmo que do ponto de vista moral saibamos que os homens e as mulheres são iguais e que merecem os mesmos direitos, sempre haverá um domínio de um em relação ao outro, pois a afirmação deste princípio não elimina as possíveis diferenças existentes entre ambos, nem a necessidade de toda a existência que haja um (a) dominador (a).
4.1. Diferenças profissionais
Podemos perceber grandes diferenças no trato homem e mulher quando voltamos nosso olhar para o lado profissional, pois aqui jaz grande distância tanto empregatício como também salarial e isto não é uma peculiaridade do Brasil, mas existe o mesmo fenômeno em todos os outros países. A diferença entre nosso país e os outros é que nos países desenvolvidos as mulheres têm um espaço maior, ou seja, as diferenças entre elas e os homens são menores. As condições econômicas de um país e as oportunidades dadas aos grupos existentes reduzem as diferenças. Então uma economia forte e com uma diversificação profissional proporciona uma redução destas diferenças, pois abrirá espaços para a mulher, desta forma, ela larga aquele estado de dona de casa e economicamente totalmente dependente do dominador. Por exemplo, podemos observar a mulher do interior que ou trabalha na agricultura ou é apenas dona de casa porque ela não tem outra opção e fica dependente do marido de uma forma tal que, mesmo em uma situação na qual seu relacionamento não esteja bem, ela tem a necessidade de continuar devido à estrutura intelectual e financeira, logo muitas delas aguentam "o pão que o diabo amassou" para sobreviver. Enquanto a mulher que vive numa cidade grande como São Paulo tem muitas opções, não precisando tornar-se totalmente dependente do homem, ou seja, tem uma possibilidade menor de sofrer deste mal.
4.2. Educação
A forma tradicional de educar sempre prestigiou a classe masculina, mas as mulheres já conseguiram grandes avanços na educação, pois hoje já podemos perceber um abandono da forma tradicional de prestígio do homem no ensino.
Essa diferença que tende a diminuir cada vez mais no mundo é acompanhada pela necessidade cada vez maior da presença feminina no mercado de trabalho, levando-as a participarem e dedicarem-se cada vez mais aos estudos. Essa tendência teve início já desde antes de Cristo, mas seu marco maior foi no período da revolução industrial para executar um trabalho até então feito apenas pelos homens. Essas diferenças não devem ser diminuídas apenas no campo profissional ou estudantil, mas também no processo diário através dos conhecimentos adquiridos e práticos, mesmo que seja por meio de reivindicações, mas a luta feminina não pode parar. O que presenciamos em nosso dia a dia é a própria mulher desvalorizando-se e sendo vendida como produtos em meio a todo tipo de forma comunicativa, seja na música onde são chamadas de cachorras, seja nos programas de televisão onde exibem seus corpos como objetos de desejo dos homens, sendo considerado este tipo de exploração do corpo da mulher a melhor forma de marketing. Para redução das diferenças é preciso um nível grande de batalha feminina; ter o conhecimento sobre os fatos existentes não faz diferença alguma, mas se estas informações forem postas em prática e a sociedade das pessoas de personalidade buscar, então temos a certeza de que estas disparidades entre homens e mulheres diminuirão.
4.3. Diferenças psicológicas
Na linguagem diária percebemos os usos grosseiros de qualificações que pretendem distinguir homens e mulheres afirmando que eles são mais inteligentes que elas ou que têm mais personalidade. “Para discutirmos algo dessa natureza é preciso que saibamos o que é ser ‘inteligente”. As distinções feitas no campo da psicologia quando se afirma ser o homem mais inteligente que a mulher é insatisfatória, porque sabemos que alguns têm o chamado QI mais elevado ou desenvolvido que outros, mas dizer que este fenômeno se dá nas diferenças sexuais não existe, pois há mulheres que seu QI é mais desenvolvido que o QI de muitos homens e vice-versa.
O conceito de inteligência deve ser bem investigado para podermos aplicá-lo ao nosso dia a dia, principalmente para nos referirmos a distinções entre gêneros. Por exemplo, alguns aplicam o termo inteligente para alguém que pensa muito rápido, outros para pessoas que aprendem rápido ou que têm facilidades para resolver questões de matemática. Na verdade isto não quer dizer que estas pessoas são mais inteligentes que as outras, pois o máximo que poderá provar-se é que cada pessoa tem características diferentes, independentes de sua classificação sexual e na verdade esses conceitos são apenas facilidades ou desenvolvimento da mesma.
Nós tendemos a considerar os homens mais capazes por causa da força física ou das facilidades que conquistaram mediante as oportunidades que eles tiveram e que sempre foram negadas às mulheres sob o pretexto de que elas deveriam estar dentro de casa ocupadas com os fazeres domésticos, isto não é uma consideração objetiva e lógica, pois não estabelece relações verdadeiras, coerentes ou satisfatórias. O que ocorre no caso da "inteligência" é que a sociedade que examina seus indivíduos tem uma tendência machista por ser dominada pelos homens, então essa mesma sociedade é que observa e critica os grupos nela existentes; homossexuais, mulheres, homens, homicidas, baderneiro etc. A sociedade considera o homem mais inteligente levando em conta aquilo que este representa em meio à sociedade atual, porém sem observar que a mulher nunca teve as oportunidades que os homens sempre tiveram e que os levaram a estar no nível que alcançaram no coletivo. Porém quando paramos a observar a evolução intelectual e individual da mulher desde que esta começou a conquistar seu espaço, percebemos a existência de mulheres que estão no mesmo nível ou, até mesmo, superior aos homens. Então veja o que Dante M. Leite disse a respeito:
"A idéia de medida psicológica seria absurda
se decorresse da suposição de certa quantidade,
em cada indivíduo, de inteligência,
“afetividade, memória, agressividade etc.”
(Dante M. Leite, 1966, p21)

Quando afirmamos que alguém é inteligente, na verdade estamos dizendo que aquela pessoa é hábil em determinado assunto ou área de um determinado conhecimento ou habilidade corporal de comportamento e comando físico-corporal. As pessoas chamadas "inteligentes" têm desenvolvido suas habilidades dentro do QI pertencente a elas, mas o fato destas pessoas terem um QI alto não quer dizer que elas sejam, numa determinada área ou num todo do conhecimento, mais inteligente que as outras pessoas, pois sua inteligência dependerá do desenvolvimento da sua intelectualidade, ou seja, do seu QI, pois se a pessoa tem um QI avançado, porém não o exercita, pouco será desenvolvida sua inteligência. Muitos descobrem que são capazes de executar determinadas habilidades quando começam a exercitar seu QI, porque podemos comparar a inteligência à força física, portanto, quando dizemos que alguém tem muita força física, temos a consciência que não é um poder sobrenatural que está presente na vida daquele indivíduo, mas que ele tem músculos, ossos, tendões etc. que exercitados produzem mais ou menos forças num indivíduo. A mesma coisa podemos dizer sobre as características intelectuais tanto das pessoas individuais como também dos grupos existentes. O indivíduo ou um determinado grupo não nasce com "a inteligência" no sentido ideológico e máximo, mas com habilidades para desenvolver a sua inteligência numa determinada área. Você pode reparar que as pessoas têm habilidades ou inteligências para executarem uma determinada tarefa, porém para outras não têm e isso ocorre de forma surpreendente, pois, provamos quando submetemos a mesma pessoa a testes de inteligência e obtemos dois resultados diferentes. A diversidade dos testes explica o resultado, pois a pessoa chamada "inteligente" não é mais inteligente que as outras, mas apenas diferente das demais. Isto ocorre na relação macho e fêmea onde um tem facilidade em executar determinadas tarefas, enquanto o outro tem a tendência para outras tarefas, podendo sofrer alterações no campo individual. Apenas mostrando a diversidade das diferenças e jamais que um é mais inteligente que o outro, pois tudo dependerá do exercício das habilidades e também das oportunidades dadas.
Num julgamento feito pela sociedade, quando se afirma que os homens são superiores às mulheres, podemos cometer vários erros, tanto num simples continuísmo tradicional sem investigação quanto numa situação verificada, pois, tendo a sociedade uma tendência machista, provavelmente, os homens intuitivamente tentarão defender sua posição, porque nessa relação constante entre homem e mulher um sempre é favorecido em relação ao outro e, infelizmente, isto é um mal necessário dentro daquilo que chamamos de diferença, mas jamais aceitamos o conceito de, pelo fato de ser diferente, a mulher seja inferior. Claro que alguém pode perguntar: se o homem está no poder a tanto tempo, isto não seria um sinal de que ele é superior? Dentro de um padrão da literatura cristã e de outras religiões parece que a própria Divindade escolheu o homem para este domínio. A literatura religiosa nos passa a ideia de que a Divindade escolhe defendendo seu grupo que seria o dos homens tornando-se desta forma um machista. Mas se a divindade imaginária, mitológica ou literária deixasse de escolher o homem para escolher a mulher então hoje estaria sendo chamado de feminista.
Durante toda a história da humanidade o homem sempre esteve com a responsabilidade deste governo e sempre foi ditador com as mulheres, mantendo-se como o chefe de família e a mulher como sua auxiliadora, escrava ou submissa dependendo do grupo social. Segundo o pastor psicólogo Silas Malafaya "o próprio evangelho parece favorecer esta posição e que vem sendo combatido duramente pela mídia e a sociedade atual em uma espécie de contracultura cristã." O cristianismo de que Deus é o Grande criador e fez uma escolha dentro de seus conhecimentos daquilo que seria melhor como estrutura familiar. Se este modelo serve ou não para sua vida ou para a vida da sociedade atual é algo a ser realizado e refletido por você. Podemos detectar todo um machismo bíblico nos grandes “homens de Deus”; não faziam diferente do momento e da sociedade da época, porque estavam envolvidos com o machismo histórico. A busca por um modelo diferente aonde a mulher venha a ter o mesmo poder que o homem, levou o Dr. Sharles Vinic a fazer uma pesquisa em mais de 2000 culturas diferentes e o resultado foi que existe apenas 55 culturas unissexuais, ou seja, em que não existe um papel dominante para o homem ou a mulher e estas culturas já estão em extinção, por isso é preciso refletir sobre a necessidade de existência de um governo, seja no reino do bem ou do mal, dos homens, mulheres ou animais, pois sem um controle definido e dado a um determinado grupo a sociedade parece não subsistir. Então a vitalidade e força da família e da sociedade dependem muito do papel definido de quem manda, tendo um peso maior para os homens, claro que a mídia combate este definição dos papeis atuais do homem e da mulher na família. A mulher deve fugir daquele modelo antigo de dona de casa e buscar cada vez mais seu espaço, mas sendo consciente de sua luta contra uma sociedade machista, porque tanto os homens quanto as próprias mulheres contribuem para isto. Mas já podemos perceber um enfraquecimento do papel do homem na sociedade diante das conquistas femininas e, em parte, isto é bom, pois a mulher está conseguindo ocupar um espaço nunca encontrado antes e reduzindo a grande diferença, mas isto também trás um dado negro, pois segundo um pesquisador da sociedade contemporânea chamado George Guilder quando o homem não é responsável pela família tende a canalizar sua agressividade para os outros. Numa pesquisa feita foi comprovado que nestes últimos tempos os homens têm se tornado muito agressivos, ou seja, mais de 90% das desgraças são feitas por homens como: estupro, assalto, assassinato, embriaguez, violência na família etc. Desde o início o homem tem tido o domínio e se tirado este domínio, não podemos saber as mudanças que poderá ocorrer em meio à sociedade.  Mas este relacionamento não deveria estar em conflito por domínio, apenas pela diminuição das diferenças estabelecidas, porque, na verdade, o homem e a mulher são como um quebra-cabeça que tem suas peças diferentes, mas se completam no todo, pois apesar de serem diferentes emocionalmente, psicologicamente, anatomicamente e sexualmente, eles precisam um do outro para subsistência da própria espécie. E quando faço este tipo de afirmação não estou apenas me referindo à questão da procriação, mas também da oposição para evolução; lembramos quando Adão estava estático em meio ao jardim do Éden e a divindade resolveu criar a mulher para que lhe fosse oposição para a evolução do próprio homem.
O outro ponto importante sobre a questão da qualidade é que nem sempre aquilo que possuímos revela capacidades, ou seja, não podemos avaliar alguém mais ou menos importante por aquilo que ele tem ou conquistou. Em nosso país há gente esperta, besta, ladrão, honesto, rico, pobre, estrelas, pessoas simples, políticos e populares, mas isto não quer dizer que estes são melhores que aqueles, porém apenas mostra as diferenças existentes e necessárias em uma sociedade. Esta questão da hierarquia é algo que está presente em todo lugar seja aqui no mundo dos homens, dos anjos, no universo das bactérias e vírus ou do reino animal. Numa sociedade não dá pra todos serem presidentes e nem serem todos garis, pois em uma sociedade é preciso ter pessoas que mandem e outras que executem. Isto faz parte da vida e não há como negar. A hierarquia está presente em toda a existência, seja ela visível ou invisível, natural ou espiritual ou sobrenatural. Por exemplo: no reino animal em alguns casos mandam as fêmeas como o das viúvas negras, das formigas e abelhas, mas na maioria mandam os machos como os leões que esperam dormindo as fêmeas caçarem e ficam com o melhor da caça enquanto elas com o restante.
O processo de julgamento das qualidades e diferenças entre homens e mulheres é desigual e, portanto não é aceito por todos: alguns homens que tomam o partido feminino e a maioria das mulheres que lutam por uma diminuição dessas diferenças. O que é que esta sociedade ainda machista julga? Dizem ser a mulher inferior aos homens e deixam de lado a idéia de que as pessoas não são superiores umas as outras, porém são diferentes, logo dentro da virtude de cada um, a pessoa tem um melhor desempenho, mas isto não está dando o significado de que ele seja superior, pois em outras áreas um outro indivíduo é melhor. Tomemos o exemplo do presidente da nação, ou seja, mesmo aquela pessoa que venha a chegar ao cargo não será jamais considerada superior aos outros, pois podemos dizer que na área política ele se sobressaiu aos demais, porém em outras áreas como os esportes ele perde feio. superior e também a discrepância desses preconceitos sociais. Percebemos também que enquanto algumas mulheres lutam por uma redução dessas diferenças outras fazem tudo ao contrário, pois aceitam músicas que denigrem a imagem da própria mulher, quando as chamam de cachorras e, digo sem medo de errar, que aquelas que curtem estes tipos musicais são de fato pessoas que não se valorizam como também aquelas que vendem seus corpos, em atitude de puro egoísmo, para a mídia televisiva ou as revistas masculinas. Não alego que a mulher não possa pousar nua, isto é problema pessoal. Mas observe a posição do mercado: ele simplesmente compra o corpo da mulher para exposição ou consumo e quando é feito desta forma, ela está sendo colocada como produto e não como ser humano; sempre pensando em lucrar transformando-se em objeto. É preciso superar os homens com intelectualidade e, não apelar para a objetivação do corpo. Não param ai, pois como disse Dante M. Leite: "até certo ponto, nós somos o que os outros esperam que sejamos" (Dante, 1966, 32). Muitas mulheres são exatamente aquilo que a sociedade machista exige que elas sejam; objetos dos homens. Isso pode levar a mulher a um estágio contra a evolução, principalmente, no campo individual, poderá convencendo-se de que é incapaz diante deles, sentindo-se, desta forma, desanimada e consequentemente não reúne esforços para modificar este panorama social.
Existem aquelas que pensam muito pequeno, são conformadas e que até contribuem para o domínio dos homens, por outro lado existem mulheres que são irrealistas. pois supõem que um dia tomarão o espaço ocupado pelos homens, porém com uma missão de superar toda uma estrutura religiosa e machista; a estrutura social existente que lhes favorece. Quando a mulher tem uma visão de si como objeto, ela torna-se escrava do homem, quando passa a ter um olhar irrealístico, então perde a visão e o conhecimento de si, mas sempre deverá suplantar de seus limites. Bom é que ela venha a conseguir um pensamento, ideologia e uma luta que sejam compacta, madura e equilibrada, logo conseguirá descobrir a si mesma, seus limites e objetivos influenciando a sociedade com personalidade, entusiasmo e autoconfiança que as conduzirão para uma situação melhor e evolutiva.
Na tentativa de solucionar estes problemas foram criadas muitas idéias, ONGs, e até leis, mas o princípio básico de todas estas ações é tentar aplicá-las de maneira bem simples, ou seja, fazer que as pessoas abracem e utilizem estas idéias no seu dia a dia dando os mesmos valores dado para o homem. Muitas pessoas dão seus palpites a respeito, porém é preciso algo a mais que palpites para tentar "solucionar" ou reduzir esta disparidade nas diferenças entre os sexos, pois toda a proposta deve estar recheada de um cunho científico, psicológico e político-econômico, de maneira que possamos separar aquilo que seja mera opinião casual de uma opinião do saber e do conhecimento, pois há uma necessidade deste estudo e saber científico para criar, organizar e praticar programas para construção de uma nova mentalidade em meio a esta sociedade o que é uma tarefa demorada e complexa.
A grande dificuldade que se opõe e limita a evolução feminina diz respeito ao nosso comportamento social: qual será nosso interesse nessa causa? Ainda temos a pretensão natural, tradicional e cultural de ensinar as distinções, ou seja, parece que é um tipo de pensamento exigido em meio a nossa sociedade, mas o correto seria trazer as informações às pessoas e deixá-las fazer suas conclusões diante de suas experiências de seu dia a dia. Devemos sempre conduzir as pessoas a fugirem do erro ideológico cometido há tanto tempo pela falta de reflexão livre e prática do arbítrio, principalmente quando nos referimos à questão da mulher, porque sempre houve grande dificuldade para expor idéias que tentassem reduzir estas diferenças de forma coerente e inteligível.
 A sociedade sempre fará avaliação entre os sexos. Precisamos desafiar aquilo que é tradicional para que o novo possa surgir e haja um crescimento intelectual em relação à disputa entre macho e fêmea. Esta ideologia precisa ser levada a sério e praticada, pois do contrário tudo irá ficar estático e sem as transformações tão necessárias. Logo, poderíamos começar dentro do próprio lar ensinando aos nossos filhos a respeitarem estas diferenças. Numa família em que surge uma ideologia não discriminativa da mulher os desajustes serão menores ou menos freqüentes. Muitas infelicidades surgem nos casais devido uma idéia de que o homem é tudo e a mulher é uma escrava e deve-lhe obedecer em tudo, mas a culpa não é apenas do marido ou da mulher, porém, principalmente da cultura tradicional que aderimos durante séculos, enfim sabemos que a maioria dos casos de destruição dos lares se dá com a presença de machismo.
4.4. Diferenças históricas no universo da literatura
Nos séculos anteriores, por razões indicadas já acima e por outras tantas, o movimento de luta contra este domínio, machismo e desrespeito dos homens contra as mulheres adquiriram maior êxito e influência marcante nos Estados Unidos embora tenha se divulgado também em tantos outros países. A maior conquista, nos países desenvolvidos, se dá devido a fatores econômicos, ou seja, um país que tem recursos econômicos abre suas portas para mão de obra feminina e, principalmente, quando a população deste país permite a construção de uma nova forma de relação, além de ser necessário o desprendimento na escola de culturas em que a mulher é depreciada ou inferiorizada, dando, desta forma, excelentes oportunidades para todo e qualquer grupo social independente de sua sexualidade.


 5. A influência masculina na língua
O texto deste trabalho discute os fenômenos de domínios e desigualdades existentes na língua através da literatura desde sua origem e a exclusão desencadeada pela tendência lingüística e por aqueles que se denominam dominadores do universo humano usando, muitas das vezes, as instituições políticas e culturais. Foram apresentadas algumas conseqüências destas diferenças existentes (no trato entre macho e fêmea) e que, muitas das vezes, chega a ser um desrespeito e preconceito contra o grupo de menor influência tanto na sociedade quanto na língua que é o grande elo de qualquer grupo social, além de uma provável e obrigatória influência na educação, pois há argumentos literários, gramaticais e lexicais no ensino da língua que colaboram com estas diferenças. Comentamos também a respeito do papel da escola, como instituição que leva os conhecimentos da língua até seus adeptos, sua relação e dever com a mobilidade social e aos riscos que se reproduzem quando esta apoia dogmas dos dominantes, mas que esta deve ter uma relação com as mudanças no processo de socialização e diminuição das desigualdades.
A influência masculina na língua e na literatura é algo evidente e que para a maioria passa despercebido, mas para os poucos que param e refletem a respeito de certos comportamentos e expressões da língua, há uma grande percepção de que a língua não é neutra quanto à disputa de poder, influências ou direitos entre macho e fêmea; estes registros com tendência masculina transmigram desde os tempos remotos e continuam indo em direção ao futuro baseados nas estruturas sociais e culturais não apenas do Brasil, mas de todo o mundo psicomachista. Isso não significa que todos os discursos, textos ou obras literárias, léxicos, gramáticas ou concordâncias genéricas, em geral, estejam voltados para auxiliar o homem na permanência do domínio, mas o que se sabe é que a experiência corrobora com tal assertiva e que determinadas expressões e concordâncias impregnadas no contexto social, onde ainda é o homem quem ordena, são perpetuadas e adaptadas a cada tempo e sociedade, interferindo no processo de uma maior dinâmica transformacional e, consequentemente na diminuição das desigualdades entre macho e fêmea num contexto global.
"na língua há também comandantes e comandados"                                                                                                 (Hélio Consolário, professor
de português
São poucos os escritores que se detiveram nesse campo argumentativo. Alguns desses poucos foram: Dante Moreira Leite em a psicologia diferencial, Antônio de Pádua Dias da Silva, Geralda Medeiros Nóbrega e Maria Gorete Ribeiro numa perspectiva da literatura e psicologia em o livro “O mito do ciborgue e outras representações do imaginário”, Maria Lúcia de Arruda Aranha em filosofia da educação e Ana Miranda no livro “reflexões da revista veja” entre outros escritores.
Assim, em busca de ter a certeza de que este tema é interessante e que é importante sua discussão, foi percorrido um caminho de pesquisa na Internet, com persistência e leitura de textos escritos e textos fílmicos visando apresentarmos uma argumentação convincente e com espaço para outras interpretações que colaborem para a compreensão desse fenômeno que vindo desde a origem ainda atinge a sociedade contemporânea. Através deste bom material, esperamos estar contribuindo para a reflexão desta temática.

Uma viagem na história literária


Precisamos fazer uma viagem na história das lutas femininas por uma diminuição da desigualdade no espaço lingüístico, literário, e sociocultural e, então poderemos refletir melhor esta temática: desde a antigüidade as mulheres eram reservadas as atividades de casa, em alguns espaços geográficos, como em partes da Grécia antiga, ela detinha uma maior influência em meio às sociedades machistas da época. Não tinham nenhum tipo de acesso à literatura e aos palanques que eram as grandes formas de manifestações da língua na época. Na idade média, especificamente no período chamado pela literatura de ‘trovadoresco’, em Portugal as mulheres foram endeusadas, mas não tinham o direito de manifestar-se intelectualmente e, aquelas que tentaram, naufragaram em seus sonhos. Dizem que nos dias atuais é bem diferente. Eu tenho que concordar com esta afirmação, pois qualquer um percebe as conquistas femininas, mas também temos a consciência de que elas ainda estão longe de conseguir reduzir bastante esta desigualdade.
No Brasil, desde a época em que Cabral chegou por aqui não há grandes referências a respeito das mulheres, mas apenas menções em cartas e livros escritos por homens sobre a beleza das índias e a necessidade de mulheres aptas para casarem e servirem aos homens tendo desta forma seus atos e manifestações físicas, intelectuais e lingüísticas controlados. Para que você tenha uma idéia daquilo que a sociedade pensava, veja esta declaração do padre Vieira; “A mulher deveria sair de casa em apenas três ocasiões; para o batismo, casamento e no próprio enterro”. A primeira mulher mencionada na nossa história foi à escrava forra Chica da Silva que conseguiu o poder de um grande homem através da sedução. Também Joana Angélica que foi morta a golpes por causa de suas lutas sociais, Anita Garibaldi que se destacou pela sua valentia e luta pelo amor de Giuseppe, a brava patriota Maria Quitéria que teve de vestir-se de homem para conseguir suas honras e outras tantas, mas nenhuma delas se destacou, até este momento pela sua intelectualidade expressa através da língua falada ou escrita, por outro lado vemos diversos nomes femininos brilhando nas grandes obras dos poetas desde Gregório de Mattos até Drummond. Em todas estas obras elas revezam entre boas e más como; a moreninha, Capitu, Ceci, Tieta, e na literatura universal encontramos as “endiabradas” Eva e Pandora. Mas isto é mulher na ficção, porque na realidade seus espaços são poucos e aquelas que conseguiram certo espaço não decepcionaram e revelaram o universo feminino a partir da compreensão e ponto de vista feminina.
"... a história do ponto de vista da mulher,
evidenciando alguns aspectos da face oculta da psique feminina.
Isto constitui a essência de sua literalidade.                                                                                                                  As protagonistas, em pleno processo de individuação
evoluem espiritualmente..." (Pádua, 2004)
A história oficial e literária, muitas das vezes, tem nos obrigado a interpretar fatos literários como sendo de grande homenagem e importância da mulher, uma vez que a mulher está presente em quase todas as grandes obras. Mas acrescento que isto ocorre sempre numa ótica masculina, pois estas eram as mulheres da ficção literária, porque as mulheres da vida real não tinham o direito de escrever ou outra qualquer manifestação intelectual e lingüística, então os homens (dominadores) sempre tinham o direito de falar em nome dos dominados (as mulheres), ou seja, toda a história sempre privilegiou as grandes obras literárias e os grandes feitos dos homens, enquanto as mulheres eram minimizadas e, em muitos casos, até desprezadas. Nas grandes obras literárias dos homens, a mulher está interpretada sob uma ótica sensualista, onde há toda uma influência da sociedade comandada pelos machões: desta forma o escritor Machado de Assis relaciona a personagem Capitu com animais e José de Alencar não fica atrás quando se refere à Iracema.
"diferenças... entre sexos, como as conseqüências
de tudo isso decorre... preconceitos..."
Dante Moreira Leite

Até quando as mulheres terão que ter seus espaços lingüísticos e literários resumidos ou bem inferiores ao dos homens?
No mundo as mulheres começaram a manifestar sua expressão lingüística na literatura a partir de safo, já, no Brasil, foi a partir de Dorotéia Engrácia que as mulheres começaram escrever livros, ou seja, a terem seu espaço na manifestação lingüística e literária: hoje elas publicam artigos, livros, revistas etc.
Todos temos conhecimento do fenômeno lingüístico, ou seja, de que língua está acima dos humanos, porque independente das reações humanas contrárias ou favoráveis: a língua vai continuar evoluindo ou não. A manifestação comunicativa da língua não depende de um indivíduo ou de um grupo social, mas do todo ou de sua maioria. Desta forma, A humanidade pode influenciar as características de uma língua, pois toda a construção lingüistica se dá a partir dos comportamentos humanos, onde numa relação eterna e dinâmica o homem influencia a língua e esta agora evoluída pela ação humana influencia aos homens.
Na antigüidade, as palavras eram usadas, mas não eram a principal arma política, cultural, social ou bélica, pois tudo era tratado quase que totalmente a base da força, mas já se fazia o uso do jogo de palavras, ou seja, os homens começaram a perceber a influência e poder que as palavras tinham, por isso que o Sábio Salomão disse: “a morte e a vida estão no poder da língua” (PV. 18.21). Já naquele momento os homens (humanidade) começam a perceber a força existente nas palavras; a língua, você poderá usá-la como instrumento favorável a seu objetivo.
"Pela compreensão de Cassirer,
em todas as cosmogonias míticas a palavra
é hipostasiada, concebida como um modo mítico,
como um ser, um poder substancial,
antes de ser compreendida como um instrumento ideal,
um sistema lógico da mente" (Pádua, 2004)
 Então, é numa situação de luta pela permanência do domínio que os homens começam a fazer uso da língua, não de forma completamente racional, mas quase que totalmente instintiva. A partir dessas reações psicomachistas é que se desenrolou toda a estrutura da língua e literatura que temos hoje. Por isso que temos toda essa estrutura social e cultural da língua com tendência a sempre privilegiar o macho. Claro que a finalidade da língua não é apoiar a um determinado grupo, mas fazer com que a situação comunicativa aconteça e da melhor forma possível para que toda a comunicação seja inteligível e compreensível, porém a língua, tendo uma ligação com o humano é normal que seja contaminada por estes.

Observando a história da educação escolar, percebemos o privilégio e diferença do masculino em relação ao feminino:
"... a história da educação é narrada pela ótica
das classes dominantes, percebemos agora
que ela é também androcêntrica, isto é,
“centrada na figura masculina”
(Maria Lúcia de Arruda Aranha, 1996, p. 99)
                                                                      
Quando a sociedade vem valorizar o ser intuitivo da mulher, ou seja, que a mulher é intuitiva, delicada, amorosa, parece até ser um elogio, mas na verdade, é desta forma que se delineia as características de inferiorizarão da mulher, através desse jogo de palavras, porque ao julgá-la assim, afirma-se que ela é sensível e frágil e que o homem é forte, racional e empreendedor. Apesar das grandes mudanças já alcançadas, graças aos movimentos de contestação dessa grande diferença entre homem e mulher. Este estudo não visa que as diferenças desapareçam, mas que através do esclarecimento venhamos a diminuir essas diferenças, evitando desta forma os preconceitos sociais e linguísticos que estão a serviço da classe dominante, por isso que Maria L. A. Aranha disse:
"... toda educação precisa estar voltada para
garantir a diversidade pessoal, o que independe
de “tratar-se de homem ou mulher”
(Maria L. A. Aranha. 1996, pg.91)
A realidade, apesar das transformações já alcançadas pelo feminino, é que os textos e literaturas usadas nas escolas ainda reproduzem aquela imagem bipolar dos sexos. Segundo Maria L.A. Aranha, "os grandes filósofos depreciavam a educação feminina e restringia a mulher à posição de doméstica e entre eles estava Rousseau. Mas por outro lado Max e Angel opinaram a favor da mulher". No entanto queremos acrescentar que precisamos compreender estas posições a partir do social e torná-la cada vez mais flexível, pois a educação, a língua e a literatura não podem estar favoráveis a um grupo dominador, mas a uma educação, ensino e uso de língua não sexista e que respeita as diversidades.
Na vida cotidiana é possível conviver com a diversidade, mas para isso é preciso que respeitemos o outro e aceitemos as diferenças sem julgá-las inferiores e não usarmos de recursos, culturais, sociais, religiosos ou lingüísticos para mostrar que este ou aquele grupo é dominador. Dificilmente paramos em nosso dia-a-dia para refletirmos sobre o uso da língua e das palavras a ela pertencente: a escola como a Principal instituição transmissora dos saberes e da língua deve diminuir estas diferenças e conscientizar a todos, homens e mulheres, do melhor uso da língua e dos conhecimentos adquiridos. A lição que podemos tirar disto tudo é de que a condição de ser homem ou mulher não pode e não deve justificar tratamentos injustos ou atribuição de termos que depreciem o grupo "inferior". A grande reivindicação das mulheres é de direitos iguais em todas as áreas. É preciso lutar hoje pela diminuição destas diferenças e privilégios.



Referência bibliográfica

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 2.ed. rev. e ampl. São Paulo, Moderna, 1996.

MIRANDA, Ana. Veja 25 anos: Reflexões para o futuro. São Paulo, Abril, 1993.

SILVA, Antônio de Pádua Dias da. NÓBREGA, Geralda Medeiros. RIBEIRO, Maria Goretti. O mito do ciborque e outras representações do imaginário: Androginia, identidade e cultura. João Pessoa, Universitária, 2004.

LEITE, Dante Moreira. Psicologia diferencial. São Paulo, São Paulo S.A.1966

LOPES, Antônio. Enciclopédia contemporânea de psicologia e relações humanas. São Paulo, Brasileira, 1986.

Magno Holanda




  

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